O processo de transformação de Cabo Verde num Estado próspero e sustentado por uma economia moderna e competitiva está intimamente ligado a um outro grande desafio que é a consolidação da nossa Democracia assente na solidez das suas instituições. A consolidação do regime democrático é assim para as próximas décadas, um imperativo fundamental e tem como pressuposto a consolidação da ‘Boa Governação’ enquanto factor chave de toda a estratégia de desenvolvimento de Cabo Verde.
Verifica-se ultimamente, não só a nível dos poderes central e autárquico mas também a nível das ONGs, instituições internacionais, associações e outras organizações nacionais e internacionais, um crescimento sustentado da procura de formação e de especialização no quadro dos processos de tomada de decisão, nas esferas pública e privada, na elaboração de estratégias de desenvolvimento e de modernização, na gestão de recursos humanos, nas dinâmicas de adaptação à mudança, nas instâncias locais, regionais, nacionais e internacionais, nos novos circuitos de comunicação.
A necessidade de responder às demandas de uma sociedade cada vez mais informada e consciente dos seus direitos, mas que também deve estar ciente dos seus deveres, impõe à sociedade cabo-verdiana, uma postura e acções voltadas para o reforço da cidadania e da consolidação dos procedimentos do Estado Democrático.
É nesta perspectiva que surge a proposta da criação do curso de licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais, cujo Plano Curricular tem como pano de fundo a intensificação da democracia, o reforço da cidadania, a aproximação do poder aos cidadãos e as relações internacionais. O curso procura também envolver os estudantes na construção de um projecto de formação ao longo da vida, centrado sobretudo no desenvolvimento de competências, tanto pessoais como sociais, capazes de fomentar a adaptabilidade às mudanças e aos desafios do futuro.
2. Objectivos
O curso de licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais tem por objectivo fornecer conhecimentos básicos para a compreensão e a abordagem técnica de questões das realidades política e internacional, requeridos pela integração crescente da perspectiva internacional na tomada de decisão das organizações públicas, privadas, governamentais e não-governamentais. Pretende-se criar no aluno uma apetência para transformar o próprio Estado e a governação através de formas inovadoras de intervenção nos diversos domínios.
Para tal, promove uma abordagem integrada de instrumentos de análise de ideias e de factos que moldam as dinâmicas das realidades políticas, internacionais e globais contemporâneas e dos seus actores, numa perspectiva interdisciplinar, histórica, comparada e prospectiva.
Os alunos são estimulados a desenvolver a sua autonomia de aprendizagem, bem como a adquirir e a desenvolver um perfil de capacidades científicas, técnicas, de comunicação e sociais necessárias às futuras actividades profissionais num conjunto variado de organizações, operando do nível local ao global, e/ou de prosseguimento de estudos e de investigação.
Pretende-se ao longo desta licenciatura convidar professores estrangeiros de modo a permitir aos alunos partilhar algumas das experiencias de outras realidades. Os melhores alunos serão encorajados a prosseguir estudos de pós-graduação, mestrado e doutoramento, quer no IESIG, quer em outras universidades estrangeiras.
3. Perfil de Entrada e Condições de Acesso
Serão admitidos à matrícula no curso de Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais, os cidadãos nacionais ou estrangeiros que reúnam as condições constantes da Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.º 103/III/90, publicada no Boletim Oficial n.º 52 de 29/12/90), com as alterações introduzidas pela Lei n.º 113/V/99, publicada no Boletim Oficial n.º 38 de 18/10/99.
É ainda exigido que tenham obtido aproveitamento numa das seguintes disciplinas do 12º ano: Sociologia, Geografia, Economia, História.
De acordo com a estrutura curricular e com as condições das instalações físicas do IESIG, o número mínimo de candidatos a admitir é de 20 (vinte) e o máximo de 50 (cinquenta).
Critérios de selecção:
-classificação final do 12º Ano ou equivalente;Para os casos não previstos, a admissão será da responsabilidade do Conselho Científico do IESIG.
-mérito da informação curricular e científica;
-entrevistas/provas de selecção.
4. Perfil de Saída
A licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais tem aceitação e saídas profissionais nos sectores público e privado, governamental e não governamental, bem como em diversos tipos de organizações, desde os serviços de diplomacia governamentais a serviços externos de empresas industriais e financeiras e autarquias. O profissional nesta área, para além das competências político-sociais adquiridas terá também um conhecimento aprofundado a nível linguístico onde será capaz de comunicar-se em diferentes idiomas (Português, Inglês, Francês e Espanhol).
O curso de licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais confere o grau de licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais e o título de Técnico Superior nessa área de especialidade.
5. Carreiras Profissionais
São possibilidades de Emprego para o Licenciado em Ciência Politica e Relações Internacionais:
- Instituições da administração pública a nível regional e nacional;
- Organizações governamentais internacionais e organizações não-governamentais (ONG),
nomeadamente as que operam nos domínios da educação, da saúde, do ambiente, da ajuda
humanitária, da cooperação comercial, tecnológica e cultural e do desenvolvimento
internacional;
- Sector empresarial do Estado e institutos públicos;
- Empresas privadas e associações empresariais;
- Instituições de carácter político, nomeadamente partidos políticos ou organizações
representativas de interesses;
- Instituições de ensino;
- Comunicação social.
6. Organização e Funcionamento do Curso
6.1 Estrutura Curricular
A Estrutura Curricular proposta resultou de encontros que a Direcção do Instituto manteve com outras Instituições do Ensino Superior, nomeadamente a Universidade Fernando Pessoa e a Universidade da Beira Interior, ambas de Portugal, técnicos do sector, professores, estudantes, políticos e diplomatas, e teve por objectivo preencher uma lacuna em termos de capacidade técnica nesta área e ao mesmo tempo aumentar as possibilidades de acesso ao mercado de trabalho. Todas as unidades curriculares contribuem, de forma articulada e progressiva, para o desenvolvimento das competências profissionais necessárias.
O curso distribui-se por oito semestres e estrutura-se com base na alternância entre unidades curriculares de natureza teórica e teórico-prática.
O curso terá como áreas científicas predominantes as Ciências Políticas e Sociais. Assim torna-se necessário o conhecimento de diversas áreas do saber, destacando-se a História, a Sociologia, a Geografia, o Direito, o Português, o Inglês, o Espanhol ou Francês e a Economia.
Além dos conteúdos curriculares a seguir indicados, o currículo do curso adopta uma série de actividades a serem desenvolvidas pelos alunos, igualmente importantes para a sua formação, tais como projectos de iniciação científica, monitorias, produção técnico-científica, actividades de extensão e participação em eventos técnico-científicos, etc. Assim, a metodologia a ser utilizada para o funcionamento do curso, assentará em:
Aulas Teóricas: Exposição da matéria. Apresentação dos tópicos, brainstorming, apresentação e explicação dos conceitos teóricos.
Aulas Teórico-práticas: Serão orientadas para a compreensão dos diferentes sistemas político-sociais e funcionamento das organizações, assim como a intervenção nestas esferas a nível local, regional, nacional ou a nível internacional.
Aulas Práticas: As aulas práticas terão lugar em ambiente próprio, simulando situações reais de trabalho.
Trabalhos Práticos: Realização de trabalhos de aplicação dos conhecimentos adquiridos (nas aulas e através de investigação/pesquisa).
Seminários/Palestras/Colóquios: Transmitir aos alunos conhecimentos teóricos e os fundamentos necessários para uma melhor compreensão de determinadas matérias e aspectos do curso, bem como para uma melhor preparação dos trabalhos práticos e científicos que serão solicitados ao longo da sua vida académica.
Estágios: Os estágios serão orientados para uma maior incidência sobre a capacitação prática do aluno, com o objectivo de contribuir significativamente para facilitar a obtenção do seu primeiro emprego. Será adoptada uma política de relacionamento com as Câmaras Municipais, empresas e instituições cabo-verdianas de forma a promover uma aproximação relevante dos alunos com o mercado de trabalho.
6.2 Justificação da Organização Curricular
O Plano Curricular do curso está organizado de tal modo que, no primeiro ano, o estudante consiga apropriar-se dos conteúdos fundamentais da ciência política e relações internacionais através de uma aprendizagem de nível superior. Pretende-se que o estudante se confronte com a sua opção pela política ou diplomacia.
No segundo e terceiro anos, pretende-se que o estudante desenvolva as competências necessárias à intervenção social, política e diplomática e também o desenvolvimento do gosto pela investigação.
No quarto ano, no primeiro semestre, o estudante continua a desenvolver as competências a nível da intervenção social, política e diplomática. O segundo semestre será dedicado aos trabalhos de conclusão do curso, incluindo um estágio de licenciatura, durante o qual o estudante desenvolve a autonomia e responsabilidade na área da sua opção, devendo apresentar o respectivo relatório. Em opção, o estudante pode realizar uma monografia no âmbito da ciência política e relações internacionais.
6.3 Obtenção do Grau de Licenciatura
Para que seja atribuído o grau de licenciado em Ciência Politica e Relações Internacionais, o estudante deverá ter obtido aproveitamento em todas as disciplinas do plano curricular, e ter realizado um estágio de 320 horas, ou apresentado e defendido uma monografia.
6.4 Áreas Científicas e Unidades de Crédito
A atribuição dos créditos segundo o Sistema Europeu de Transferência de Créditos (ECTS) é baseada na carga média de trabalho que o estudante médio deve desenvolver para concluir com êxito uma determinada unidade de aprendizagem, definida em termos de aquisição de uma dada competência.
Tendo em conta experiências anteriores de Universidades parceiras, o IESIG decidiu tomar como referência que 1 ECTS equivale a 27 horas de trabalho do estudante. Ainda com base no anteriormente exposto, o IESIG decidiu centrar o processo de aprendizagem no estudante, concedendo-lhe espaço para desenvolver a sua autonomia e responsabilidade de forma crescente, demonstrado através do número de horas de trabalho autónomo (HTA), que se situa entre os 40% e os 60%, de acordo com a disciplina. Assim, o curso tem um total de 240 créditos distribuídos por 8 semestres e pelas diferentes áreas científicas, totalizando uma carga de trabalho de 6.480 horas.
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